A formação de capital humano, através do treinamento profissional e da educação de boa qualidade, é essencial tanto para o crescimento sustentável quanto para o bem-estar econômico de qualquer sociedade. De acordo com o prof. Gary Becker, prêmio Nobel de Economia em 1992, o sucesso depende de como uma nação utiliza e capacita a sua população e, além do mais, a desigualdade de renda será maior quanto maior for também a desigualdade em educação (cf. Gary Becker, "Capital Humano e Pobreza"). O prof. Becker também assinala a importância da família como alicerce de uma boa sociedade, já que as famílias bem constituídas têm a preocupação de proporcionar, a seus filhos, educação e valores.
Sem a educação apropriada, as pessoas não têm consciência de seus direitos e deveres nas relações sociais. A educação, portanto, é necessária não somente para o crescimento das atividades econômicas, mas também, e talvez principalmente, para o florescimento da verdadeira democracia representativa como estrutura política que permitirá o desenvolvimento próspero da economia. Qualquer tentativa de eliminação da democracia e de implementação de um regime totalitário passa sempre, portanto, pelo controle dos meios educativos, que desempenham, em regimes de poder fortemente centralizado, o papel de instrumentos para a doutrinação e contaminação ideológica. Miguel Naguib, em seu artigo "Por uma escola sem partido" , chama a atenção para o problema dos esforços sistemáticos de transformação das mentalidades através da educação.
No ambiente universitário brasileiro, enfrentamos o desafio da anti-educação, tal como Olavo de Carvalho denuncia em seu artigo "Pela restauração intelectual do Brasil". O ensino superior deixa cada vez mais de lado a formação sólida, honesta e integral, abrindo espaço para a desaculturação e a promoção do relativismo. As interpretações de teor marxista são praticamente um padrão oficial de ensino no Brasil, graças ao emprego de métodos pedagógicos que contêm elementos de autores como Paulo Freire e Antonio Gramsci (cf. Lucas Mendes, "Educação e Doutrinação"). Nesse quadro, despreza-se o conhecimento em favor da paralisação das consciências e da eliminação da possibilidade de formar pessoas com capacidade crítica e analítica para lidar com os problemas da atualidade e compreender, com precisão, o panorama social e político no qual estamos imersos.
Não basta, contudo, apenas investir na educação. É necessário, antes de mais nada, despertar o interesse para a importância de uma formação intelectual que proporcione, além de conteúdo técnico, embasamento ético e moral. Sem esse interesse e sem uma constante preocupação ética, não estaremos formando cidadãos conscientes, responsáveis e capazes de tomar decisões para a construção de uma sociedade próspera, livre e democrática.
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