A importância do progresso científico e tecnológico é inestimável. Através da investigação e das novas descobertas, a humanidade tem acesso progressivo a mais conforto e qualidade de vida, além do desenvolvimento de ferramentas para lidar com os problemas que surgem a cada momento. Pela sua própria natureza, as atividades de pesquisa científica produzem um tipo de conhecimento que, muitas vezes, proporciona resultados satisfatórios em aplicações práticas. Contudo, a maneira científica de olhar a experiência é peculiar e o cientista não pretende, ou pelo menos não deveria pretender, assumir o papel de árbitro perante outras formas do conhecimento humano (cf. Gene Callahan, "O que é Ciência?" ).
A partir das investigações sobre os processos que ocorrem no corpo humano, a Medicina desenvolveu-se ao longo dos séculos e hoje consegue dar conta de inúmeras doenças; graças aos desenvolvimentos da Física, atualmente temos acesso a telecomunicações praticamente instantâneas e a dispositivos eletrônicos cada vez mais sofisticados; a Química está continuamente criando e estudando novos materiais, utilizados nas mais diversas áreas; e não podemos esquecer, naturalmente, das ciências sociais, que proporcionam um conhecimento cada vez mais preciso sobre as complexas dinâmicas das relações entre os indivíduos no interior das sociedades. O domínio da investigação científica, entretanto, consiste dos processos e fenômenos naturais, como nos adverte C. S. Lewis em seu artigo "Religião e Ciência" . Estender a ciência para além das suas fronteiras significa invadir outros campos do conhecimento, geralmente com resultados negativos.
Nos últimos séculos, a ciência modificou não somente a forma como vemos, mas também como lidamos com o mundo. Cabe alertar, portanto, sobre os esforços de politização da ciência, transformando-a em um poderoso instrumento para o ativismo político e ideológico. A autoridade quase sagrada que a sociedade confere à ciência torna-a atrativa para a manipulação das mentalidades através de campanhas de desinformação que se utilizam de uma pretensa base científica para reinterpretar o mundo de acordo com interesses que são, via de regra, coletivistas e anti-democráticos. O conhecimento científico não pretende produzir verdades absolutas, portanto a caracterização da ciência como fonte de informações absolutamente confiáveis é uma distorção da própria natureza da atividade científica. É através da politização da ciência que um discurso que de científico não tem nada contribui para a condenação, por parte da opinião pública, da livre iniciativa, do progresso econômico e da atividade empreendedora.
Com relação ao instigante tema do aquecimento global, é importante enfatizar que os esforços da comunidade científica para a compreensão dos processos climáticos deve ser separada dos interesses políticos e particulares que se alimentam do assunto para a produção de falsificações e de manipulações. Olavo de Carvalho analisa o tema em seu artigo "Ciência ou Palhaçada?" e, no texto "CO2 e alarmismo" , S. Fred Singer chama a atenção para o excesso de ideologia e falta de ciência na mesma questão.
O resgate do verdadeiro papel da ciência é fundamental para que o progresso do conhecimento humano não despersonalize o trabalho científico. Afinal de contas, é a ciência que deve servir ao homem, e não o contrário.
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