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| Editorial Publicado em 06/03/2010 |
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| CAUSA MORTIS: ESTADOS UNIDOS |
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BRUNO PONTES Jornalista
Em 2003, Álvaro Uribe pediu a Lula que designasse formalmente as
Farc como organização terrorista. Lula não respondeu. Ele resolveu
falar em outra ocasião, quando as tropas de Uribe despacharam para o
inferno os chefes das Farc que operavam no Equador: Lula exigiu que o
presidente colombiano se desculpasse.
O PT divulgou nota, em janeiro do ano passado, chamando Israel de
estado terrorista e comparando a reação israelense a oito anos de
foguetes do Hamas às práticas do regime nazista. É a mesma opinião de
Mahmoud Ahmadinejad, de quem Lula é assessor em assuntos atômicos. A
bomba que o Irã desenvolve para atacar Israel sairá da fábrica com a
ajuda da diplomacia petista.
Quando as instituições hondurenhas seguiram a Constituição e depuseram
Manuel Zelaya, Lula reagiu prontamente contra a democracia e cortou os
programas de cooperação econômica com Honduras. O homem estava
indignado: "O Brasil condena o golpe de Estado... Os golpistas devem
perceber o mal que estão fazendo para a democracia na América
Central... É preciso respeitar a participação popular". Semanas depois,
Lula emprestou nossa embaixada para que Zelaya iniciasse a guerra civil
nas ruas de Tegucigalpa. Agora Lula lamenta que Orlando Zapata
tenha se deixado morrer. Vocês sabem o que houve: na ânsia de trair o
comunismo cubano, Zapata dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos,
parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer. Raul expressou
luto rindo e conversando animadamente com Lula, que ria ainda mais.
Fidel emocionou-se de tal jeito com a visita do estadista global que
vestiu sua jaqueta da Nike. No dia seguinte, Lula indicou o caminho
para a harmonia planetária: "Eu gostaria que todos os governantes do
mundo agissem como eu ajo". Ao contrário do brasileiro comum,
que pode ficar enojado com tanto cinismo, Lula existe acima de pudores
reacionários. Perante o público de devotos, ele conta com dois
argumentos infalíveis: a soberania nacional e os 240% de aprovação
popular. Não há nada a explicar, portanto. O lulista apaixonado se
encara no espelho tranqüilo, imponente, e encerra o assunto: "As Farc
são um exército de resistência. O Hamas também. Ditadura de esquerda é
democracia. E os Estados Unidos mataram Orlando Zapata".
 
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